A esquerda brasileira não se sustenta apenas como força política. Ela se apresenta como consciência moral da nação. Seus porta-vozes não se veem como participantes do debate público, mas como representantes do Bem. Quem discorda não é adversário — é insensível, egoísta, reacionário ou imoral.
Mas por trás da retórica inflamada sobre justiça social, diversidade e defesa dos vulneráveis, há um problema mais profundo: uma incoerência filosófica que transforma compaixão em instrumento de poder e justiça em estratégia de dominação cultural.
Essa não é apenas uma disputa entre direita e esquerda. É uma disputa sobre a natureza humana.
1. A Redução do Homem à Matéria
O materialismo histórico de Karl Marx parte de um pressuposto radical: a consciência é produto das condições materiais. O indivíduo seria resultado da estrutura econômica. Mude-se a estrutura, muda-se o homem.
Parece elegante. Parece científico. Mas há uma consequência devastadora: o homem deixa de ser sujeito moral para tornar-se peça de engrenagem histórica.
Quando a esquerda brasileira afirma que o criminoso é vítima da sociedade, que o corrupto é produto do sistema, que o fracasso é sempre estrutural — ela está aplicando essa lógica. Ninguém escolhe. Ninguém responde. Ninguém é moralmente responsável.
Mas se não há responsabilidade, também não há dignidade.
Viktor Frankl, sobrevivente de Auschwitz, demonstrou na prática o contrário do determinismo marxista. Mesmo no campo de concentração, sob fome, tortura e desumanização absoluta, o homem conservava algo que nenhum regime podia roubar: a liberdade de atitude.
Se alguém pode escolher sua atitude diante do horror, então o ser humano não é apenas produto da estrutura.
A esquerda diz defender o pobre. Mas ao negar-lhe responsabilidade, nega-lhe também grandeza.
2. A Compaixão Como Estratégia de Controle
Olavo de Carvalho insistia que o debate político contemporâneo não é apenas disputa de poder institucional — é guerra cultural. Quem domina a linguagem domina a percepção da realidade.
A esquerda brasileira compreendeu isso perfeitamente.
Palavras como “democracia”, “inclusão”, “direitos”, “justiça social” são transformadas em monopólio moral. O discurso cria uma hierarquia invisível: quem está dentro da narrativa é virtuoso; quem questiona é suspeito.
E aqui surge a hipocrisia central: a defesa da democracia convive com a tolerância à censura; a luta contra o autoritarismo convive com a relativização de regimes autoritários quando ideologicamente alinhados; a indignação contra a corrupção desaparece quando o corrupto pertence ao “lado certo”.
Não se trata de erro pontual. Trata-se de padrão.
A compaixão deixa de ser virtude e vira ferramenta de poder.
3. O Homem-Deus e o Projeto de Redenção Política
Em Os Demônios, Fiódor Dostoiévski antecipou o espírito revolucionário que transforma ideologia em religião secular. Quando Deus é substituído pelo projeto político, surge o homem-deus: aquele que acredita poder redesenhar a natureza humana por meio da engenharia social.
O problema não é buscar justiça. O problema é acreditar que ela pode ser imposta por decreto histórico.
Quando a esquerda brasileira fala em “lado certo da história”, ecoa essa mentalidade. A história vira tribunal metafísico. A vitória política torna-se absolvição moral.
E se estou do lado certo da história, tudo é permitido.
A perseguição reputacional? Justificável.
A manipulação narrativa? Necessária.
O aparelhamento institucional? Estratégico.
Em nome do bem maior.
4. A Elite que Combate “A Elite”
Nada é mais revelador do que a formação de uma aristocracia estatal que vive do dinheiro público enquanto denuncia o “sistema opressor”.
A esquerda brasileira construiu uma rede sólida de intelectuais, artistas dependentes de incentivos, burocratas, consultores e políticos profissionais — todos sustentados por uma máquina estatal inchada.
É uma elite que condena o empresário produtivo, mas depende do contribuinte.
Que denuncia privilégios, mas preserva os seus.
Que fala em igualdade, mas vive de isenções e verbas.
O discurso anti-elite funciona porque cria um inimigo abstrato. Mas o poder concreto permanece intacto — apenas muda de mãos.
5. O Paternalismo que Infantiliza
Talvez a contradição mais grave esteja na antropologia implícita.
Ao tratar grupos sociais como permanentemente incapazes sem tutela estatal, a esquerda cria uma dependência estrutural. O cidadão torna-se cliente do governo. A autonomia é substituída por assistência permanente.
O Estado deixa de ser garantidor de ordem e passa a ser provedor existencial.
Mas quem depende não questiona.
Quem depende não confronta.
Quem depende não se emancipa.
Isso não é libertação. É infantilização política.
A verdadeira dignidade humana exige liberdade — e liberdade exige risco, responsabilidade e possibilidade de erro.
6. A Moral Seletiva
Existe um padrão previsível:
* Quando o adversário erra, é prova de perversidade estrutural.
* Quando o aliado erra, é exceção contextual.
* Quando a direita fala em valores, é moralismo.
* Quando a esquerda fala em valores, é consciência social.
A moral deixa de ser princípio universal e torna-se instrumento tático.
E esse talvez seja o ponto mais corrosivo: a substituição da verdade pela narrativa.
7. A Crise Brasileira Não É Econômica — É Espiritual
O Brasil não sofre apenas de má gestão econômica. Sofre de confusão antropológica.
Se o homem é apenas reflexo da estrutura, a política vira laboratório social.
Se o homem é ser moral livre, a política deve ser limitada.
O pensamento materialista prometeu libertação pela redistribuição.
Mas não respondeu à pergunta essencial: qual é o sentido da existência humana?
Sem transcendência, resta a luta.
Sem responsabilidade, resta a vitimização.
Sem verdade objetiva, resta a narrativa mais eficiente.
E nisso a esquerda brasileira foi brilhante: construiu uma hegemonia simbólica que transforma crítica em heresia.
Conclusão: O Teatro Está Desgastado
A hipocrisia da esquerda brasileira não está apenas em escândalos ou incoerências pontuais. Está na estrutura do pensamento que reduz o homem à matéria enquanto fala em emancipação.
Não há justiça sem verdade.
Não há liberdade sem responsabilidade.
Não há dignidade sem autonomia moral.
O discurso da compaixão não pode continuar sendo usado como escudo para um projeto de poder.
A verdadeira revolução não é econômica.
É interior.
E essa, como ensinou Viktor Frankl, começa quando o homem descobre que não é produto das circunstâncias — mas agente de suas escolhas.
Por Ana Paula Rocha
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