ANA PAULA ROCHA

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CAPITALISMO É IMORAL?
A grande mentira moral que você repetiu sem perceber

Existe uma narrativa confortável circulando há décadas: o marxismo seria um sistema fundado em princípios morais elevados, enquanto o capitalismo não passaria de uma engrenagem fria movida por lucro e rentabilidade.

A frase é sedutora.

É espiritualizada.

É esteticamente bonita.

E filosoficamente falsa.

Não se trata aqui de discordância ideológica superficial. Trata-se de um erro conceitual grave — daqueles que só sobrevivem porque quase ninguém se dá ao trabalho de examinar os fundamentos.

Vamos começar pelo básico: o que é moralidade?

Se moralidade significa a existência de princípios objetivos sobre o bem e o mal, válidos independentemente das circunstâncias históricas, então precisamos perguntar: onde esses princípios aparecem na obra de Karl Marx?

A resposta honesta é desconfortável.

Marx não constrói sua teoria sobre uma metafísica moral. Pelo contrário: ele dissolve a própria ideia de moral universal. Para ele, moral, direito e religião pertencem à “superestrutura” — isto é, são produtos das relações materiais de produção.

Em termos claros: aquilo que chamamos de moral não passa de reflexo ideológico da economia.

Não existe “bem” em si. Existe interesse de classe.

Se isso é verdade, então a moral pode mudar conforme mudam as estruturas econômicas. Pode ser descartada quando atrapalhar a revolução. Pode ser redefinida quando o projeto histórico exigir.

Chamar isso de sistema moral é, no mínimo, um equívoco conceitual.

Agora compare isso com o nascimento do liberalismo clássico.

O liberalismo não surge como manual de enriquecimento pessoal. Ele nasce como teoria sobre a dignidade humana.

John Locke afirmava que o homem possui direitos naturais anteriores ao Estado: vida, liberdade e propriedade. Esses direitos não são concessões governamentais. Decorrem da própria natureza racional do indivíduo.

A propriedade, para Locke, não é fetiche materialista. É extensão da pessoa. Quando alguém mistura seu trabalho à natureza, incorpora parte de si ao mundo. Negar essa propriedade é negar a autonomia moral do sujeito.

Isso é uma tese moral profunda.

Muito antes de escrever A Riqueza das Nações, Adam Smith escreveu Teoria dos Sentimentos Morais. Ali, ele explica que o ser humano possui uma capacidade natural de simpatia — de se colocar no lugar do outro.

O mercado só funciona porque há confiança. E confiança é categoria moral.

Sem honestidade, contratos se tornam papel inútil.

Sem reputação, não existe troca duradoura.

Sem previsibilidade ética, não há cooperação.

O lucro, nesse contexto, não é um vício moral. É o sinal de que alguém ofereceu algo que outro, livremente, decidiu adquirir. Troca voluntária pressupõe consentimento. Consentimento pressupõe dignidade.

Já na tradição iluminista alemã, Immanuel Kant formula o imperativo categórico: o ser humano deve ser tratado sempre como fim, nunca apenas como meio.

Essa frase é dinamite filosófica.

Ela impõe limites absolutos ao poder político.

Quando o Estado assume para si o papel de reorganizar a sociedade segundo um ideal histórico coletivo, o indivíduo deixa de ser fim e passa a ser instrumento. Peça substituível. Número estatístico.

O liberalismo clássico, ao contrário, limita o poder precisamente porque reconhece que cada indivíduo possui valor intrínseco.

Mas então de onde vem a caricatura?

Vem da redução do capitalismo à palavra “lucro”.

Lucro virou sinônimo de exploração.

Rentabilidade virou sinônimo de frieza.

Mercado virou sinônimo de egoísmo.

No entanto, lucro em ambiente livre significa apenas que alguém produziu algo que outra pessoa julgou valioso o suficiente para pagar.

O que é imoral não é lucrar.

É fraudar.

É coagir.

É manipular.

E todas essas práticas violam princípios morais que o próprio liberalismo condena.

A diferença fundamental entre as duas tradições não é sentimental.

É ontológica.

De um lado, a afirmação de que o indivíduo possui direitos anteriores ao Estado.

Do outro, a afirmação de que o indivíduo é expressão das forças históricas e econômicas.

De um lado, limites ao poder.

Do outro, legitimação da expansão do poder em nome de uma promessa futura.

Quando alguém afirma que o marxismo é moral e o capitalismo não, está, na prática, ignorando séculos de filosofia moral ocidental — de Locke a Smith, de Kant à tradição da lei natural.

Está confundindo retórica compassiva com fundamento filosófico.

O problema não é discordar do capitalismo. O problema é descrevê-lo como se fosse uma estrutura puramente amoral, desprovida de princípios, quando sua base intelectual está profundamente ancorada na dignidade da pessoa, na responsabilidade individual e na limitação do poder.

Frases bonitas não substituem estudo.

Slogans morais não substituem filosofia.

E repetir que “o capitalismo só busca lucro” pode soar elegante em um palco — mas desmorona quando confrontado com os textos que realmente fundaram essa tradição.

A pergunta honesta não é “qual sistema parece mais moral?”

A pergunta é: qual deles realmente reconhece o indivíduo como fim — e não como instrumento da história?

A resposta exige menos emoção e mais leitura.

E talvez seja exatamente isso que mais incomoda.

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